Um estudante amazonense estará representando o Brasil e o Amazonas na Regeneron ISEF (International Science and Engineering Fair), que acontece entre os dias 10 a 16 de maio, em Columbus, Ohio (EUA), considerada a maior feira pré-universitária de ciências do mundo.
Ele foi premiado na Mostratec-Liberato (Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia), que é considerada a maior feira de jovens pesquisadores da América Latina.
A Mostratec-Liberato é a feira brasileira mais antiga que participa desse importante evento científico. Desde 1993, quando fez sua estreia, não deixou de comparecer no evento.
Passados 32 anos, mais uma vez uma delegação de finalistas brasileiros, credenciados pela Mostratec-Liberato, representará o país na ISEF. São 13 estudantes, que apresentam nove trabalhos, oriundos de oito Estados da federação: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Maranhão, Amazonas e Amapá.
Conheça o projeto do Amazonas que foi credenciado através da Mostratec-Liberato:
Amazônia Chibata – Ariá
Finalista: Eli Minev Benzecry
Orientadora: Noemia Kazue Ishikawa
Instituição: Colégio Connexus – Manaus, AM
Em 2023, a Amazônia brasileira enfrentou a pior seca da história. Populações das áreas rurais e indígenas sofreram diversos problemas, especialmente fome. Em busca de uma alternativa alimentar da sociobiodiversidade local, encontramos o ariá (Goeppertia allouia), também conhecido como “sweetcorn root” ou “topinambo”, um tubérculo nativo da Amazônia, cujo consumo possui evidências arqueológicas de 9 mil anos, mas atualmente é pouco utilizado. Este projeto visa revitalizar o uso do ariá, analisando sua composição nutricional e promovendo seu potencial como fonte alimentar.
O projeto foi desenvolvido em cinco fases: 1. Transformação de campos esportivos abandonados em sistemas agroflorestais para cultivo do ariá; 2. Realização de análises laboratoriais para determinar o perfil nutricional completo do tubérculo; 3. Implantação de hortas urbanas com ariá e outros vegetais para estimular a biodiversidade local; 4. Publicação do livro “Amazônia Chibata: Ariá”; 5. Revitalização do consumo do ariá por meio do aumento do cultivo pela população local. Como resultado dessas fases, o ariá foi introduzido em três hortas urbanas, e as análises nutricionais revelaram que o tubérculo contém todos os nove aminoácidos essenciais, minerais (Ca, Fe, K, P) e vitaminas (B3, C), com teor de carboidratos de 19,7 g/100 g e valor calórico de 83,2 kcal/100 g.
As qualidades nutricionais, históricas e culturais foram apresentadas no livro. Esta pesquisa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU: 2 – Fome Zero; 3 – Saúde e Bem-estar; e 15 – Vida Terrestre. Felizmente, um fator que fortalece o estudo é que o período de seca na região coincide com o período da colheita do tubérculo.
Dessa forma, propomos o ariá como alternativa contra a insegurança alimentar a partir da própria sociobiodiversidade amazônica.
Acesse o www.culturaamazonica.com.br e saiba mais sobre a região amazônica.
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